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BWV 988: TRINTA POSSIBILIDADES DE TRANSGRESSÃO

2019

O espetáculo de dança contemporânea “BWV 988: trinta possibilidades de transgressão” foi concebido pelo pianista Gustavo Carvalho (Brasil), pela coreógrafa e bailarina Jacqueline Gimenes (Brasil) e pelo artista visual François Andes (França). O espetáculo, que teve a sua estreia mundial na Bélgica, durante a Bienal de Mons 2018, realizou a sua estreia no Brasil em outubro de 2019. 

O principal impulso para a criação do espetáculo foram as Variações Goldberg BWV 988, obra maior do compositor barroco alemão Johann Sebastian Bach. A coreografia será construída respeitando o discurso musical e utilizando no seu desenvolvimento o resultado de todas as pesquisas realizadas em torno da transgressão na sociedade contemporânea.

O cenário e figurino foram elaborados a partir de desenhos realizados por François Andes em diálogo com os outros dois artistas. “Olhar para a noite como uma paisagem virgem, habitada por uma vegetação densa e por uma fauna infinita de seres imaginários. A percepção da insônia como tempo/espaço para penetrar esse universo, assim como uma fronteira entre o real e o imaginário, o visível e o invisível, o consciente e o inconsciente. Noites brancas, vistas como a possibilidade de encontro com as nossas inquietudes e angústias existenciais, mas também com os nossos fantasmas e pulsões. Este reino das sombras, onde o que mais tememos é estar confrontado com a gente mesmo”, afirma o artista francês.

O processo de trabalho utiliza a transgressão como ponto de abertura e instabilidade, por meio da troca de experiências entre artistas e público ocorridas em residências artísticas durante o processo de pesquisa e criação do espetáculo. Isso também se dá na concepção permeável dos cenários e figurinos em constante mutação durante o espetáculo, assim como nas restrições impostas por objetos utilizados pela bailarina, sempre desafiada a criar novos padrões de movimento numa relação dinâmica com a música e com a própria concepção de coreografia.

A produção do espetáculo foi realizada a partir da troca de experiências e do diálogo entre os artistas sob a forma de micros residências com a participação do público no polo experimental do Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea e nos hospitais psiquiátricos da Colônia Juliano Moreira (Rio de Janeiro). Durante estes períodos, em paralelo a uma imersão no universo musical, visual, cênico e coreográfico do espetáculo, os artistas propuseram um intercâmbio com o público, por meio de performances e workshops.

 

O resultado desta interação com o público foi, em seguida, integrado ao trabalho. Esta permeabilidade da obra é voluntária, incitando-nos a aguçar o olhar e a escuta com relação às normas e às possibilidades de transgressão e proporcionando uma reflexão sobre o transgressor e o transgredido.